Em Abril passado houve eleições aqui na Itália. As chamadas eleições políticas, que escolhem os membros do parlamento, que por sua vez definirão o governo do país, já que a Itália tem regime parlamentarista.
Algumas das características da eleição foram bem parecidas com aquelas das eleições no Brasil, principalmente a pinta de mentiroso presente em todos os políticos. Também existe um número gigantesco de partidos, deixando muito complicado qualquer agremiação obter a maioria parlamentar sozinha. Como resultado, surgem múltiplas e instáveis alianças, num estilão bem brazuca.
Mas fora esses aspectos, as eleições são bem diferentes. Por exemplo:
- Não existe urna eletrônica. O voto é via “risco na cédula de papel”. Primeiro mundo?
- A panfletagem é muito bem organizada e praticamente não existe pixação. Primeiro mundo.
- Existe um bom nível de participação política dos cidadãos. Primeiro mundo.
- Existe uma certa polarização, uma certa xenofobia. Num país onde falta mão-de-obra isso é no mínimo ignorância, quiçá burrice mesmo. Primeiro mundo?
Este será o 62o governo da Itália no pós-guerra. Isso dá quase um governo novo por ano. Não tem como um país ir para frente desse jeito. O novo primeiro-ministro, Silvio Berlusconi é extrememente mal-visto fora da Itália e a elite política é considerada despreparada e corrupta (olha outra semelhança com o Brasil!). De modo geral, a Itália anda muito mal avaliada pelos seus pares europeus (para quem tem interesse, ver aqui).
Como curiosidade, ao lado vai a reprodução de um cartaz da Lega Nord, um partido populista daqui. Para quem está com o Italiano enferrujado, o texto diz algo como: Eles sofreram com a imigração. Agora vivem nas reservas! Só com isso já dá pra sentir qual é o prestígio dos imigrantes por aqui. Felizmente não são todos que pensam assim, mas um boa parte apóia abertamente o xenofobismo.
Uma última observação: considerando as semelhanças da Itália com o Brasil, implantar um regime parlamentarista em terras tupiniquins daria resultados igualmente desastrosos. Parlamentarismo só funciona com menos partidos e com partidos mais fortes. Senão termina em pizza…