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Máquina de Leite

Máquina de Leite.Nem tudo no dia-a-dia italiano é desagradável ou antiquado. Se você procurar bem, existem algumas surpresas agradáveis. Uma delas é a por nós chamada Máquina de Leite.

Trata-se de uma simpática máquina onde você pode comprar leite por um preço relativamente baixo para os padrões locais (€ 1,00 por litro). A mesma máquina vende recipientes (de vidro por € 0,50 ou plástico por € 0,10). Mas se você quiser levar a sua própria vasilha, não tem problema: basta colocar a sua moedinha e encher a garrafa.

O leite vendido é fresco e integral. Qualidade realmente excelente. O abastecimento é feito por alguma cooperativa de produtores e a máquina está sempre cheia de leite e limpinha.

Mas nem tudo são flores. A máquina já me roubou € 1,60 ao não me entregar vasilhames pelos quais eu já havia pago.Detalhe dos vasilhames na Máquina de Leite.

Isso sem contar os € 0,10 que perdi o dia em que a máquina entregou o vasilhame de plástico, mas o mesmo quicou e voltou para a prateleira, como ilustrado na foto ao lado. Um azar inacreditável, urucubaca de imigrante.

Em Abril passado houve eleições aqui na Itália. As chamadas eleições políticas, que escolhem os membros do parlamento, que por sua vez definirão o governo do país, já que a Itália tem regime parlamentarista.

Algumas das características da eleição foram bem parecidas com aquelas das eleições no Brasil, principalmente a pinta de mentiroso presente em todos os políticos. Também existe um número gigantesco de partidos, deixando muito complicado qualquer agremiação obter a maioria parlamentar sozinha. Como resultado, surgem múltiplas e instáveis alianças, num estilão bem brazuca.

Mas fora esses aspectos, as eleições são bem diferentes. Por exemplo:

  • Não existe urna eletrônica. O voto é via “risco na cédula de papel”. Primeiro mundo?
  • A panfletagem é muito bem organizada e praticamente não existe pixação. Primeiro mundo.
  • Existe um bom nível de participação política dos cidadãos. Primeiro mundo.
  • Existe uma certa polarização, uma certa xenofobia. Num país onde falta mão-de-obra isso é no mínimo ignorância, quiçá burrice mesmo. Primeiro mundo?

Este será o 62o governo da Itália no pós-guerra. Isso dá quase um governo novo por ano. Não tem como um país ir para frente desse jeito. O novo primeiro-ministro, Silvio Berlusconi é extrememente mal-visto fora da Itália e a elite política é considerada despreparada e corrupta (olha outra semelhança com o Brasil!). De modo geral, a Itália anda muito mal avaliada pelos seus pares europeus (para quem tem interesse, ver aqui).

Cartaz do Índio da Lega Nord.Como curiosidade, ao lado vai a reprodução de um cartaz da Lega Nord, um partido populista daqui. Para quem está com o Italiano enferrujado, o texto diz algo como: Eles sofreram com a imigração. Agora vivem nas reservas! Só com isso já dá pra sentir qual é o prestígio dos imigrantes por aqui. Felizmente não são todos que pensam assim, mas um boa parte apóia abertamente o xenofobismo.

Uma última observação: considerando as semelhanças da Itália com o Brasil, implantar um regime parlamentarista em terras tupiniquins daria resultados igualmente desastrosos. Parlamentarismo só funciona com menos partidos e com partidos mais fortes. Senão termina em pizza…